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O Que é RPG? Como Começar a Jogar?


Saudações, pessoal! Então você ouviu falar “desse tal de RPG” e resolveu dar uma conferida pra entender o que é, certo? Talvez tenha visto na sua série favorita, leu algo relacionado na internet ou ouviu um amigo seu comentar sobre… Pois bem, veio ao lugar certo! Crítico 6 é um blog especializado em falar sobre RPG e neste artigo vou explicar do que se trata, seu surgimento e como jogar!


Certo, e o que é esse tal de RPG?


RPG é, essencialmente, um jogo sobre interpretar um personagem e resolver problemas. É um jogo no qual você e um grupo de amigos irão se reunir (seja pessoalmente, seja através de plataformas online) e criar uma história fictícia com base nas decisões de cada jogador. Cada um vai assumir o papel de um personagem e, dentro da ficção criada, interagir entre si e com o mundo imaginário, desenvolvendo uma história imprevisível e cheia de desafios.


Imagine uma série onde não há roteiro pré-definido e os protagonistas são os próprios jogadores. Quando confrontado por um conflito ou desafio, cabe ao jogador tentar resolver o problema: seu sucesso ou falha apontará os rumos que a história seguirá.


Mas não se engane, apesar de ser um jogo, RPG não é sobre ganhar ou perder, tampouco é uma competição entre os jogadores. O objetivo do RPG é simplesmente a diversão dos envolvidos. Sabe quando você assiste a um filme? Você não ganha ou perde, você simplesmente aproveita o momento e se diverte. RPG é do mesmo jeito.


Para coordenar o jogo e propor os desafios, temos um tipo diferente de jogador, o mestre de jogo. A figura do mestre de jogo (também chamado de “mestre”, pra encurtar) não possuirá um personagem próprio, mas em compensação encarnará todos os personagens que não são os jogadores. Imagine o mestre como um tipo de “diretor”, mas que, em vez de propor um roteiro de história, apresentará o mundo de jogo, os personagens coadjuvantes da ficção e os desafios que os protagonistas (no caso, os personagens dos jogadores) deverão enfrentar. Ele meio que dá o palco para os personagens atuarem. O desenrolar da história será criado durante a conversa do grupo, baseado nas descrições e na forma como os jogadores lidam com os problemas propostos pelo mestre.


Começou a achar confuso? Não se preocupe, na verdade não é – RPG é daquele tipo de coisa que você compreende mais na prática do que na teoria. Mas, ei, talvez você compreenda melhor se conhecer um pouco mais sobre a história do jogo.



O nascimento do jogo


No longínquo ano de 1974, dois nerds jogadores de wargames (jogos de guerra e estratégia) começaram a trocar ideias acerca de uma nova modalidade de jogo na qual, em vez de comandar pelotões e exércitos no tabuleiro, os jogadores controlariam personagens únicos, individuais. Esses dois fanáticos por jogos eram Gary Gygax e Dave Arneson, os pais do RPG.


Em meados de 1971, Gygax e amigos criaram um set de regras para wargame que simulava batalhas medievais e compilaram num livreto chamado “Chainmail”. Apesar de o jogo se passar na era medieval histórica, com o tempo Gygax adicionou regras opcionais para jogar com seres fantásticos, como magos, dragões e etc., o que chamou atenção de Arneson. Arneson, seduzido pela ideia de jogar num cenário de fantasia, uniu a ideia a um plano de jogo que havia jogado anos antes, onde os jogadores representavam os comandantes de suas tropas de wargame. Em pouco tempo, os personagens de fantasia do jogo de Gygax começaram a explorar masmorras ao mesmo passo que seus jogadores começaram a interpretar como Arneson. Bum! Assim surgiu o RPG, que viria a crescer e se tornar febre nos anos seguintes.


O nascimento do primeiro sistema de RPG, Dungeons & Dragons, remete ao surgimento do próprio RPG, e, por conta disso, para muitos, D&D é sinônimo de RPG. É importante comentar que é chamado de “sistema” todo conjunto de regras que você usa para jogar e decidir como as coisas funcionam dentro da narrativa.


Apesar da fama mundial que D&D possui, vários outros sistemas de RPG nasceram quase que juntos do jogo original, seja seguindo a premissa de fantasia aventuresca, seja nas mais variadas temáticas – desde investigação e horror a sci-fi e cyberpunk. Hoje em dia, existem milhares e milhares de RPGs, lançados até hoje, com as mais variadas premissas e formas de se jogar. Certamente há alguma que possa interessar a você!



Como começar a jogar RPG


E como eu posso começar a jogar esse jogo?”, você pode perguntar. Bom, pra falar a verdade, é bastante fácil: você só vai precisar de papel, lápis, uns dados, um grupo de amigos dispostos a jogar e uma boa dose de criatividade. Papel e lápis são pra manter por escrito as informações sobre os personagens, os dados, pra gerar um elemento de aleatoriedade. É importante que seu grupo de amigos esteja realmente disposto a jogar, uma vez que o RPG se constrói de forma ativa. Um sistema também é importante, pois descreverá as regras e mecânicas que gerenciam o mundo e os personagens dos jogadores.


E, bom… É isso. RPG não precisa de várias e várias coisas pra ser jogado, não é necessário um tabuleiro ou diorama ou cartas especiais nem nada assim. Bem, se você quiser, uma partida de RPG pode muito bem comportar tudo isso que eu falei, pra deixar a experiência mais visualmente chamativa ou imersiva, mas nenhum desses itens é realmente importante. RPG se constrói na narrativa que surge do imaginário coletivo do grupo de jogo, e essa talvez seja a coisa mais fantástica do hobby.


Ademais, existem vários livros de RPG que descrevem sistemas e guias de jogo para pessoas que estejam adentrando na prática, muitos desses livros são gratuitos em suas respectivas plataformas online! Abaixo deixo o link dos livros caso você tenha interesse.


Mighty Blade: um RPG de fantasia medieval com regras fáceis e que utiliza apenas dois dados comuns de seis lados. Para mais informações, considere ler esta resenha aqui mesmo do blog.


3D&T Alpha: um sistema que comporta aventuras no melhor estilo games, animes e mangás. Ideal pra iniciantes que curtem aventuras nipônicas e/ou super exageradas.


D&D 5: a versão atual do RPG mais famoso do mundo tem suas regras básicas traduzidas oficialmente no site dos Aventureiros dos Reinos. Se você já quer começar pelo mais clássico, essa é sua escolha.



Não se esqueça de comentar caso tenha curtido a postagem e dar uma olhada no blog, tem muita coisa que legal que talvez você goste!


Reflexões Sobre RPG e Saúde Mental

Qual a relação entre RPG e depressão?

Saudações, companheiros de aventuras e colegas de taverna. Após um período de hiato de quatro meses, anuncio meu retorno a meu querido e amado Crítico 6! Por muitos motivos fui obrigado a me afastar do blog e até mesmo da prática do RPG durante esse intervalo de tempo – foram tempos difíceis nos quais cheguei a pensar em desativar o site… Mas algo sempre me manteve com um fio de esperança. E justamente disso que venho falar aqui hoje.

Um pouco de psicologia e saúde

O mundo em vivemos está cada vez mais rápido, difícil e cheios de mudanças constantes. As relações familiares, de trabalho, educacionais etc exercem pressões enormes sob os indivíduos – isso sem contar as próprias questões interpessoais que afetam a mente. Quando não conseguimos lidar com todo esse estresse, essas relações causam angústia que pode nos adoecer e causar dor. E é aí que nascem as psicopatologias ou problemas de saúde mental. Dados da Organização Mundial de Saúde revelam que pelo menos 9,3% da população mundial sofre de Ansiedade, uma psicopatologia caracterizada por ataques de pânico, angústia generalizada e sintomas compulsivos. Ao mesmo passo, estima-se que cerca de 300 milhões de pessoas ao redor do mundo sofram de Depressão, uma doença caracterizada pelo humor deprimido, desânimo geral, sentimento de culpa, baixa autoestima, dentre outros sintomas que, no pior dos casos, podem levar ao suicídio.

Sou graduando em psicologia e já há algum tempo enfrento alguns desses problemas, portanto posso afirmar por experiência as dificuldades e limitações causadas pelos transtornos de saúde mental. Há poucos meses mesmo as atividades que normalmente me geravam prazer – como jogar RPG ou escrever – eram um verdadeiro desafio a ser enfrentado. Até mesmo minhas relações sociais foram gravemente afetadas. Hoje em dia, com o tratamento adequado, é bem visível o quanto isso está sendo revertido. E o meu hobby preferido, o RPG, tem me ajudado demais a sair dessa.

Alguns estudos da Unicenp de Curitiba destacam dados acerca das habilidades sociais de jogadores de RPG, que se mostram par a par com as habilidades de não-jogadores e, em alguns casos, como habilidades relacionadas a falar em público, mais proeminentes. John Hughes, estudioso em antropologia, sustenta essa afirmação através de seu estudo acerca do uso terapêutico do RPG de mesa, onde analisa os símbolos criados dentro do contexto da fantasia e como os jogadores podem se empoderar durante o jogo, aumentando suas capacidades sociais e enfrentando seus desafios projetados no mundo da fantasia.

Em alguns momentos, os transtornos podem parecer um terrível monstro.

Magia de ressurreição!

Durante meu pior período, cheguei a tentar jogar RPG com meus amigos que insistiam para que eu mestrasse pra eles. Eu o fiz em formas de oneshots, que, bom, não eram tão divertidas assim pra mim, pelo menos não enquanto mestre, o que me fez perder um pouco da fé no RPG. Contudo alguma coisa, bem lá no fundo, me dizia que eu deveria ter paciência e que quando eu estivesse melhor, iria inevitavelmente retornar.

Então, há pouco mais de um mês eu finalmente me empolguei pra jogar de novo. Meu exemplar de Space Dragon havia chegado há poucos dias e eu já tinha o devorado inteiro. Com um sistema de jogo muito divertido e uma proposta fantástica, Space Dragon captou minha atenção completamente. Fiz o que não fazia há tempos, reuni meus amigos, batemos papo, rimos, criamos personagens legais e jogamos. E pela primeira vez em meses, eu me diverti. Estar em meio aos meus amigos e me sentir importante dentro do processo do jogo me fez perceber minha própria imagem de forma diferente e construir uma narrativa emergente baseada na minha vivência e nas minhas expectativas.

Não sou o único que encontrou no RPG uma forma de se reintegrar dentro do círculo social, vários estudiosos contam casos de pacientes que encontraram no RPG uma forma de se empoderar, socializar e compreender a si mesmo, e dentre eles o psicoterapeuta Wayne D. Blackmon. Em seu case, Blackmon discorre acerca de um de seus clientes com transtorno depressivo e como os jogos de fantasia o ajudaram a externalizar suas fantasias inconscientes e aprender a lidar com as mesmas.


Conclusão

Esse texto é um grande desabafo sobre tudo o que passei e tudo que aprendi durante meu pior período e talvez possa ser um raio de esperança para aqueles que se encontram em situações difíceis. Ademais, pudemos vislumbrar um uso em conjunto entre o RPG e a psicoterapia, talvez como uma forma de explorar nossas masmorras mentais e derrotar os dragões que lá habitam.

Fontes:

Três Anos de Crítico 6: As Melhores Postagens


Saudações, galerinha! É com muito orgulho que venho aqui hoje festejar o aniversário de três anos do blog, onde passamos por momentos ótimos, dificultosos e o mais importante: aprendemos muito juntos.

Iniciamos a jornada como principiantes, reles escudeiros almejando nos tornarmos grandes aventureiros da blogosfera RPGística. Inspirado em grandes como Mais de Mil Dados, Pontos de Experiência e até mesmo no canal Vertente Geek (ex Formação Fireball), o blog deu seus primeiros passos e venceu suas primeiras aventuras. Adquiriu o apoio de grandes páginas, principalmente RPG.com e Baú Arcano, e assim prosperou. Conseguimos companheiros que compartilharam suas idéias por aqui ou que ajudaram no design – sim, TioVictor e Susano’o6, estou falando de vocês!

É claro que passamos por momentos difíceis também. Já perdemos autores que se desligaram – tanto da Page quanto do blog –, já tivemos períodos em que Crítico 6 foi abandonado num canto da taverna... Mas, sabe, ele sempre ressurgia mais forte, mais experiente e com mais coisas a contar. Clichê de se falar, mas realmente passamos de nível.

Eu falo “nós” porque Crítico 6 se tornou algo maior do que eu, maior do Lucas Reynaud. Espero muito que o blog tenha ajudado a você, leitor, em algum momento de dificuldade, que tenha te divertido ou entretido, que você tenha se envolvido. Porque Crítico 6 é a interação que nós temos e o que nós compartilhamos.

No âmbito pessoal, devo muito, mas muito mesmo ao blog. Ele – e você, leitor – muitas vezes foi o meu incentivo a permanecer ativo no RPG, sempre em frente e melhorando na narrativa do nosso querido jogo. E, cá entre nós, graças ao exercício de escrita, consegui uma ótima nota no vestibular e adentrei na faculdade dos meus sonhos!


Dentre as dezenas de matérias compartilhadas por aqui, eu tenho algumas que possuem um espaço especial no meu coração, então, pra comemorar o aniversário do Crítico 6, decidi as seis melhores pra vocês!

1 – Dicas Para se Tornar um Mestre Melhor: Uma das primeiras postagens do blog, onde compilei dicas que reuni ao longo dos anos e havia anotado num caderninho. São oito dicas completinhas que ajudam qualquer narrador a criar sessões memoráveis.

2 – Calculando Nível de Encontro e Nível de Dificuldade: ND e NE sempre foram a causa de muitas dores de cabeça de mestres de D&D e D20s da vida... Por isso, após um intenso estudo, expliquei exatamente como ponderar melhor os desafios propostos aos personagens, deixando os encontros melhor balanceados e medindo o nível de poder do grupo!

3 – Em Chamas! Monstros de Fogo Para 3D&T Alpha: Embora seja um sistema que não jogo há uns anos, amo as criaturas sugeridas na matéria. São criaturas relacionadas ao fogo e ao calor, apresentando conceitos inovadores baseados em lendas há muito esquecidas!

4 – Sobre Mestres de RPG – Recompensas & Responsabilidades: Numa das melhores reflexões que me orgulho de já ter feito, explano meu ponto de vista acerca do trabalho e dos benefícios de estar no cargo mais rigoroso de uma mesa de RPG: o Mestre.

5 – Expedição ao Templo do Mar – Download de Aventura Pronta: Nesta aventura os personagens poderão ser recrutados para uma expedição pirata a um antigo templo esquecido do deus dos mares, para explorar e pilhar tesouros. No caminho encontrarão ilhas tropicais, perigos marinhos e alguns mistérios para desvendarem, para então se depararem com um fim inesperado...

6 – Resenha Mighty Blade III: Mighty Blade III se tornou minha paixão desde a primeira vez que testei o sistema – as sessões que já tive com ele foram todas memoráveis! Portanto tratei de fazer um resumo de suas regras nessa maravilhosa resenha.


Bem, nessa postagem de comemoração quis fazer algo diferente, mas que já fiz por aqui algumas vezes. Algo menos “mecânico” e mais “papo”, uma comunicação direta com o leitor, tudo isso apenas para agradecer. Carinhosamente, o meu sincero “obrigado”.

Criando Fichamentos Para Suas Campanhas


Saudações, seres desorganizados! Muitas pessoas tem tendência a serem bagunceiras, levando o caos aonde quer que vão, ao contrário de outras, que possuem paciência suficiente para montar tudo nos conformes. Ainda há outros, como este que vos fala, que possuem “organização seletiva”, sendo bagunceiros com certas coisas e altamente perfeccionistas com outras.

Dentre os itens em que sou bastante organizado, ponho em destaque meu trabalho com RPG – sempre monto pastas, arquivos, aventuras e afins da forma que considero mais ordeira! Eis que, lendo alguns manuais interessantes de RPG, me deparo com uma forma utilíssima de se organizar campanhas: utilizando-se do fichamento.


Fichamento de Campanha

De acordo com o manual Besm d20, fichamentos são bastante úteis para a organização da suas campanhas, as deixando coerentes, coesas e concisas. Imagine que a sua campanha é um tipo de livro, filme ou anime: qual seria o gênero dela? E a categoria? Sobre o que trata? E o que a diferencia de outras campanhas? Responder a essas perguntas é de vital importância para a criação de uma boa história. É aconselhável que o mestre o os jogadores atuem em conjunto para montar o fichamento, para que a decisão seja do agrado de todos.

O primeiro de tudo é definir uma categoria: que rumo segue a campanha? Termos como “viagens espaciais”, “expedição a selva” ou “detetives sobrenaturais” são suficientes para montar um caminho a seguir. Lembre-se que o importante é isso, categorizar a história, para que possamos saber o que ela é e o que ela não é. Aqui entramos também no que é permitido na série: violência gratuita, intrigas políticas corruptas, sexo e afins. Uma boa conversa envolvendo o grupo inteiro de jogo é muito importante nessa parte, para que se defina o que é aceitável.

Depois temos que escolher a ambientação, onde se passa história. Isso também afeta muito o jogo, pois uma mesma categoria pode ser usada de forma diferente em várias ambientações. “Investigação sobrenatural” pode ser usada tanto em um cenário moderno, quanto em mundos fantásticos, gerando interpretações distintas. Delimitar a ambientação também ajuda na caracterização dos personagens jogadores – afinal, um soldado espacial não se encaixaria nada na revolução francesa.


Em seguida, decretamos o gênero. Quando assistimos a um filme ou série, sempre nos atentamos ao gênero, para que saibamos o que esperar dele – se for comédia, esperaremos boas risadas, se for ação, combates épicos, e assim vai. O mesmo vale para uma boa campanha de RPG!

Logo chegamos ao tema, que nada mais é do que o assunto tratado na série. É importante que não se confunda “categoria” com “tema”, afinal o primeiro mostra o caminho, enquanto o segundo define aonde se quer chegar. Uma boa forma de se montar um tema é através de uma frase que a resuma. Por exemplo, a categoria “viagens espaciais” poderia ser utilizada em conjunto com o tema “a jornada entre galáxias perdidas”.

Agora chegamos a uma das partes mais legais: a sinopse. Aqui é imprescindível a ação conjunta dos jogadores e do mestre: montar uma boa sinopse depende do background dos personagens, da ambientação da campanha e da situação-problema montada pelo mestre. É interessante caprichar bastante nessa parte, de forma a captar os jogadores e prendê-los na trama. Algo importante a ressaltar é que a sinopse não deve ser usada para prender o jogo, apenas para delimitar o principal enfoque do mesmo. Sua sinopse pode se relacionar com “expedições bandeirantes”, mas você pode se utilizar de intrigas políticas do Império tranquilamente.

A última coisa a se fazer é criar um título para a série, e devo dizer que essa parte é muito importante, pois esse será o que salta aos ouvidos, o que chama atenção antes de tudo. Algo clichê ou muito vago poderá deixar a desejar aos jogadores e àqueles que acompanham as aventuras de seus heróis, então tome cuidado e seja criativo. Baseie-se em nomes de livros, séries e filmes que tratam de assuntos semelhantes. Assim, poderíamos ter “Caçada aos Olimpianos” para uma campanha baseada na cultura grega; e “Sob o Fulgor da Lua Cheia” para intrigas entre vampiros e lobisomens. Não é necessário ser completamente original ou criativo – não somos diretores de Hollywood ou escritores renomados –, apenas é importante manter o nível. Se “Valentes Guerreiros” soa bem para você e para seu grupo, use-o.

Por fim, demonstrarei um exemplo de fichamento, me utilizando da idéia de minha mais nova campanha de Tormenta RPG, onde vocês poderão visualizar melhor como montar cada um dos aspectos da campanha.

Nome: Contos do Oceano
Categoria: Fantasia Heróica
Ambientação: Mundo Medieval-Mágico
Gênero: Ação, Comédia e Fantasia
Tema: “Jornada Através do Oceano”
Sinopse:
“O mar esconde vários segredos, muitos deles talvez nunca sejam descobertos. Criaturas inimagináveis, templos submersos, passagens marinhas esquecidas, ilhas estagnadas no tempo, povos aquáticos exóticos. E o mais importante: jornadas cheias de aventura e perigo. Os corajosos se lançam ao mar com avidez, buscando nele, de alguma forma, encontrar o caminho para seus objetivos – e o pai-oceano é generoso com os aqueles de coragem, ajudando-os a se fortalecer, encontrar aquilo que procuram e enfrentar seus perigos. Ah, este mar infindável tem tanto a nos contar... Sente-se, marujo, e ouça os contos do oceano, mas tome cuidado para não ser tragado pelas ondas.”


Lembre-se que o importante é organizar a campanha juntamente com seus amigos, para que ela agrade e divirta a todos. Não se acanhe caso queira incluir fatores diferentes do que em geral se vê nas séries, filmes e sagas. Estamos jogando RPG, e não montando roteiros épicos dignos do Oscar. RPG é contado diferente das histórias que vemos por aí, pois o universo muda e se molda o tempo todo. O fichamento apenas mantém tudo rodando da forma correta, como deveria ser. Mas e vocês, como organizam suas campanhas e histórias? Comentem aí!

Ano Novo, Jogo Novo!


Adeus, Ano Velho! Meus caros amigos leitores deste blog, venho hoje trazê-los esta mensagem de agradecimento ao ano de 2015, em que nascemos, crescemos e aprendemos juntos – este ano tão especial que foi data do início de “Crítico 6”, um blog tão especial para mim quanto espero que seja para vocês.

Passamos por altos e baixos: momentos em que tive que deixar o blog de lado e tentar resolver minha vida pessoal, mas também ocorreu que crescemos muito juntos, fomos compartilhados através da esfera RPGística e ganhamos muito XP em aventuras nunca sonhadas!

Espero que tudo que compartilhei com vocês tenha sido e seja útil em suas experiências, cumprindo o intuito deste blog: informar, ajudar, relatar e fazer crescer o RPG, tanto no mundo inteiro quanto nos corações dos praticantes desse maravilhoso hobby!

Também gostaria de desejar a todos um maravilhoso 2016, cheio de aventuras, perigos, enigmas e muito, mas muito XP! Continuaremos juntos, aprendendo, compartilhando e evoluindo a cada matéria nova!

Por fim, quero oficializar aqui as resoluções de Ano Novo para do Crítico 6: crescer mais, melhorar as matérias em qualidade e quantidade, regulamentar duma quantidade específica de matérias para serem postadas durante a semana, e agradar mais os leitores! Porque vocês são o motor que move o blog, que movem a este que vos escreve, eu, Lucas Stalker.

E saudações, Ano Novo!

Sobre Mestres De RPG - Recompensas & Responsabilidades


Saudações, roladores de dados! Jogar RPG é uma atividade benéfica, estimulante e acima de tudo divertida – não há nada melhor para nós RPGistas do que rolar dados e interpretar nossos personagens! Entretanto devemos nos lembrar de que, para que haja heróis, é necessário haver vilões. Para que haja aventuras, é necessário haver perigos. Para que haja jogadores, é necessário haver um Mestre.

O Mestre é aquele jogador especial, que não possuirá um personagem para si, mas que em compensação poderá controlar todos os coadjuvantes – desde o simples cidadão ao terrível demônio – e deverá guiar os rumos da aventura de acordo com as ações dos aventureiros. Seu papel maior é ceder diversão aos jogadores, mas também se divertir no processo. Ser Mestre é isso, é sobre amar o que faz.

Ser Mestre é divertido, mas também não é fácil: o Mestre deve conhecer bem as regras do jogo, ensinar para os jogadores, ter ideias para o tema da história, montar aventuras e, finalmente, narrar. São muito mais responsabilidades do que os jogadores tem, porém a recompensa também é mais gratificante. Quando os jogadores ficam empolgados com o que aconteceu durante a sessão de jogatina, comentando animados e felizes, a grande maioria dos méritos é do Mestre.

O contrário também é verdade. Quando a sessão não é divertida ou quando os jogadores não estão animados para o jogo, a culpa recai sobre o Narrador. É dele o papel de guiar os rumos da história, de acordo com os gostos dos colegas de mesa – se eles gostam de investigação, é seu dever incluir mistérios na sessão de jogo. Então, se os jogadores não estão gostando de algo na aventura, em geral, a culpa é do Mestre.

É de vital importância não confundir o ato de adaptar a mesa de acordo com os gostos dos jogadores com bajulá-los, pois maus jogadores podem se aproveitar dessa situação para obter paparicos próprios. Se um Mestre seguir esse caminho, logo será um escravo desses maus jogadores – um bom Mestre deve ser benigno, mas também rígido.


Ao aplicar rigidez em suas mesas, deve-se julgar bem o que é melhor para todos. Tal regra é justa para com os jogadores? Ela irá trazer divertimento ou apenas complicações ruins? Quando falo de “regras” neste instante, não estou falando sobre a mecânica do jogo, mas sim da vivência básica, o “sabor” da mesa. Num cenário de mundo contemporâneo, é justo que os jogadores tenham acesso a informações confidenciais do governo? Se sim, como? É fácil? Quais as complicações? Às vezes é necessário ser rígido com os jogadores. “Não, isso não é possível”, resolve muito.

Ser Mestre de RPG é sobre amar o que faz. É sobre ser rígido, mas benevolente. Sobre perder horas de sono montando aventuras, mas se sentir gratificado ao ver o sorriso dos jogadores. E também é sobre dar sorrisos sádicos ao ver os jogadores com medo do boss final, mwahahaha! Ah, vamos lá, eu disse que o Mestre também deve se divertir, não disse?

Tormenta Em HQs - O Passado, O Presente E O Futuro


Saudações, leitores maníacos! A matéria de hoje falará sobre histórias em quadrinhos, todas baseadas no cenário de Tormenta. Alguns são de tempos passados e marcaram a juventude de muitos que RPGistas e leitores de mangás. Sim, de forma bem nostálgica e saudosista! Já outros são bem mais recentes e ainda estão em lançamento. Quem sabe você não se torna fã deles?

O próprio cenário de Tormenta começou com poucas páginas na antiga revista Dragão Brasil e começou a ganhara espaço pelo público por ser um ótimo cenário nacional e cheio de possibilidades. Mas o que o fez estourar mesmo foram seus quadrinhos. Vários títulos foram lançados em seguida, abrindo oportunidade para novos ganchos de aventura, novos autores, escritores e desenvolvedores – Erica Awano foi descoberta numa dessas e hoje é uma das melhores ilustradoras do Brasil!

Holy Avenger com toda a certeza foi o maior sucesso dentre esses quadrinhos, produzido e desenvolvido por Marcelo Cassaro, Erica Awano e Rodrigo Reis e é considerado leitura obrigatória para todos os fãs de Tormenta. A série conta a história de Lisandra, uma druida inocente e de bom coração, que busca pelos Rubis Da Virtude – artefatos que, juntos, podem restaurar o poder do Paladino, o maior herói de Arton. No caminho ela encontra Sandro Galtran, filho do maior ladrão do mundo, e Niele, a mais poderosa arquimaga elfa, que decidem ajudar Lisandra em sua missão. A busca atrai a atenção de inimigos poderosos e causa reviravoltas e descobertas impressionantes, sendo assim o sucesso realmente merecido! Claro, que existiam aqueles que compravam a revista apenas para ver os seios enormes de Niele ou para acompanhar a saga de Sandro para descobrir se ele de fato sentia algo especial por Lisandra. A grande especialidade de Holy Avenger com certeza é seu ótimo bom humor, linguagem simples e coloquial, chegando a termos hilários! Mas isso não deixa suas batalhas e sequencias de revelações para trás – são de tirar o fôlego!

Para se ter uma idéia, a série fez tanto sucesso por aqui que chegou a ganhar prêmios como Troféu HQ Mix, um CD em sua homenagem no melhor estilo rádio-novela, e quase, repito, quase, ganhou uma animação para a TV que infelizmente não foi para frente por problemas que não nos convém falar agora. Entretanto ainda há esperança, pois foram divulgadas pelo próprio Marcelo Cassaro imagens do que poderia ser o design de uma vindoura animação. Incrível, não?

Clique aqui para baixar Holy Avenger completo!

Em seguida podemos falar de Victory, a série que conta a história de Vitória, semi-deusa dita filha do Paladino (sim, aquele de Holy Avenger) que fica incumbida da missão de derrotar a Tormenta. Seus quadrinhos são na verdade divididos em duas “sagas”: em uma é contada a história de como ela deve enfrentar a Tormenta e seu mal ancestral, e na outra, após derrotá-lo, como acaba caindo na Terra, devendo protegê-la dos resquícios da tempestade rubra. Importante comentar: Victory se passa fora d cronologia oficial de Arton, um universo alternativo, pode se dizer.

Victory não fez tanto sucesso quanto Holy Avenger, mas ainda assim é uma série considerável e épica. Até foi lançado nos EUA, onde fez um relativo sucesso. Ponto pro Brasil!

Clique aqui para baixar Victory Volume 1Volume 2Volume 3!

Seguindo o sucesso dos quadrinhos vem Dungeon Crawlers, uma saga um pouco mais séria que as outras e a segunda série longa de Tormenta. Tem Aurora, a sacerdotisa de Tanna-Toh, e sua amiga guerreira Brigandine como protagonistas. Sua missão: adentrar as ruínas da cidade perdida dos elfos e descobrir os segredos lá existentes. No caminho acabam por conhecer Fren, um elfo explorador que sobreviveu ao ataque e agora procura por sua antiga paixão, a princesa élfica. A história parece muito boa e explora um ótimo gancho de Tormenta: a queda da cidade élfica e a invasão dos goblinoides.

Clique aqui para baixar Dungeon Crawlers completo!

Ainda temos o ironicamente caótico Dado Selvagem, HQ que se iniciou nas páginas da Dragão Brasil e até teve revista própria, mas por problemas com a editora acabou cancelado. A HQ conta a história de Daice Commoner, um garoto absolutamente normal e sem nenhuma habilidade especial, neste mundo cheio de heróis chamado Arton. Daice tem o sonho de ser um aventureiro, mas como não possui nada de especial, nada pode fazer além de sonhar. As coisas começam a ficar interessantes quando o sumo-sacerdote de Nimb, deus do acaso e do caos, entrega a Daice o Dado Selvagem, um objeto misterioso e de grande poder. Dado Selvagem é isso: como uma pessoa sem habilidades especiais pode fazer ago incrível e especial. É realmente uma pena que a série não tenha tido um fim...

Clique aqui para ler Dado Selvagem online!

Bem mais recentemente temos Ledd, uma ótima história em estilo shonen, com roteiro bem montado, lutas de tirar o fôlego (as melhores lutas em quadrinhos de Tormenta, em minha opinião) e arte incrível de Lobo Borges. A história conta a jornada do jovem Ledd, um garoto que acorda numa prisão especial sem se lembrar de seu passado e deve fugir por sua vida, seguindo em busca de seu passado esquecido e sobre o mistério de seus poderes. Ao que parece Ledd possui um tipo de passado sombrio e mágico... Para tanto ele contará com a ajuda do mago Ripp e da bela e corajosa Drikka.

Clique aqui para ler Ledd online!

Por fim temos o 20 Deuses, série de Marcelo Cassaro, com a arte incrível de Rafael Françoi. A HQ se passa após os acontecimentos da libertação de Valkaria, a deusa da humanidade, em que a própria deusa deseja fazer algo à respeito de seu crime: ter ajudado na criação da Tormenta. Para esta missão ela se junta à Mateo, um garoto que possui seu próprio meio de encarar os desafios, e busca pelas Medalhas dos Aspectos, itens que podem invocar o poder dos vinte deuses!

Clique aqui para ler 20 Deuses online!

É importante olhar para o passado e suas consequências no presente para poder prever o futuro. Especialmente quando esse futuro pode ser construído por você e seus amigos numa partida de RPG! Então use o passado e o presente de tais HQs como base e inspiração para o futuro de suas mesas de RPG, pois com tão épicas histórias, a diversão será garantida!

Mas e vocês, conhecem outra HQ situada no cenário de Tormenta que me esqueci de comentar? Qual é a preferida de vocês e como as usam como inspiração? Comentem aí!